“Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão…
“É que tem gente que gosta da gente, como a gente é.
“Eu quis te perguntar: “Você não sente mais a minha falta?” Por covardia só ouvi o barulho do nosso silêncio. E como aquilo me incomodava viu.
“Será que sentiu minha falta? Provavelmente não do jeito como senti a dele.
“Eram seus olhos, eu não sei explicar. Era o brilho, ou a falta dele, era o piscar, o encolher, o arregalar. Não sei dizer em que detalhe eu encontrei o amor, mas eram em seus olhos. Eu os fitava o tempo todo, a maior parte do tempo, por que eu tentava acompanhar seus movimentos inteiros, sem tentar me descurvar deles. Sua pupila, seus cílios e até mesmo suas lágrimas, mesmo que eu não tenha visto nenhuma cair. São seus olhos, eles são a chave pra toda essa fixação. São os mistérios que ele carrega, são as dores que ele já derramou, são os sorrisos que ele já sorriu. Eu não me apaixonaria tanto por você, se seus olhos não me dissessem tanto. É uma covardia você se esconder por trás deles, enquanto na sua frente eles me entregariam tudo o que você é e sente. Eu amo seus olhos, eminente.